A Ditadura da beleza

A primeira lição que aprendi quando entrei no curso de teatro em 2003, foi que o ator não podia ter medo de ser feio. Minha turma era de adolescentes, eu era a mais velha com 19 anos, e todos queríamos o papel do galã da trama. Como era difícil fazer personagens “estranhos”, sem exageros, levando-os a sério; porque não era isso que a gente queria ser. Foi uma lição dura de se aprender, mas muito proveitosa, principalmente no palco da vida.

Todos gostamos de nos sentir bonitos e sermos elogiados . A indústria da e da beleza precisa vender e para isso precisa gerar em nós um constante sentimento de inconformismo com nossa aparência. Não que isso tenha haver com uma questão de higiene ou saúde, mas sim com pura superficialidade estética.

quando observamos as pessoas andando na rua, indo ou trabalho, a praia ou mesmo pra balada e comparamos com por exemplo, os integrantes do último BBB, ou os atores da novela da globo, vemos que há algo de errado, a discrepância é fenomenal. Será que só colocam pessoas “bonitas” na televisão? Será que os lugares que temos andado as pessoas não são tão belas assim? Ou será que o padrão de beleza apresentado nos grandes veículos de comunicação está bem distante do perfil do povo brasileiro?

a grande massa da população não se enquadra nos corpos esculturais, nos cabelos esvoaçantes e sedosos e nas roupas da última semana de moda. o que acaba acontecendo é que de tanto sermos bombardeados pelas imagens midiáticas acreditamos que o que precisamos para sermos felizes é o que o capitalismo precisa vender. Ainda tem um agravante: nosso país é tropical, com praias e clima quente; estamos usando sempre poucas peças de roupa, leves, que deixam boa parte de nosso corpo a mostra. e aí? aí entram as estatísticas, o Brasil é recordista mundial em cirurgias plásticas e as mulheres ganham neste quesito. Elas acabam sendo as mais cobradas e acabamos nos enquadrando nos padrões.

se vamos a uma entrevista de emprego, não podemos esquecer de fazer as unhas, usar maquiagem, passar a roupa, e vestir a roupa da moda. Não que eu seja contra algum destes itens, longe de mim, mas sou contra a imposição destes padrões de beleza.

Muitas mulheres entram nesta prisão, nesta ditadura e não conseguem sair de casa se o cabelo não estiver feito, ou se privam de ir a praia porque estão acima do peso ou por causa das celulites. Este não é mais um discurso de uma feminista baranga recalcada com ciúme das gostosonas da TV. Não sou contra a beleza! sou contra a beleza imposta, a beleza ditada, que oprime,onde a grande maioria não tem vez. onde as classes mais pobres se sentem infelizes porque não tem dinheiro pra colocar silicone ou comprar o último lançamento da Nike. o medo da não aceitação as vezes é tão grande, que passamos uma imagem de quem não somos para poder entrar em determinados grupos.

vamos nos libertar da ditadura da beleza, da beleza imposta pelas grandes mídias, vamos ver em nós a nossa beleza singular e valorizá-la invés de perdermos tempo invejando o inalcançável, o ridículo, o dispensável.

Deus não olha aparência, ele vê o coração…

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